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Projeto Paisagens Rurais realiza terceira missão de supervisão do Banco Mundial

O Projeto FIP Paisagens Rurais, voltado para a recuperação ambiental e produtiva de propriedades rurais no Bioma Cerrado, realizou a terceira Missão de Supervisão do Banco Mundial no final do mês de maio (28 e 29/05). Participaram representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Agência de Cooperação Alemã GIZ e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A missão foi na modalidade virtual, devido à pandemia do novo Coronavírus, e teve como objetivo avaliar o andamento das ações relacionadas à execução e ao gerenciamento do Projeto. Atualmente, o FIP Paisagens Rurais encontra-se em fase de aplicação de questionários para a identificação de produtores rurais que poderão ser beneficiados com as ações do projeto.

Desde março, as equipes que trabalham em escritório iniciaram o teletrabalho. Já as equipes de campo, que têm contato direto com o(a) produtor(a) rural, suspenderam as atividades. O retorno ocorrerá de forma progressiva, seguindo os protocolos de segurança para preservar a saúde da equipe de técnicos e técnicas e de proprietários e proprietárias rurais.

“Tendo em vista que o projeto Paisagens Rurais está em fase inicial de implementação, foi possível avançar com o planejamento das atividades de campo mesmo com a quarentena imposta pela pandemia. Acreditamos que, quando for possível visitar as propriedades beneficiadas, os produtores rurais receberão ferramentas muito relevantes para um avanço tecnológico em seus sistemas produtivos”, detalhou o auditor fiscal federal agropecuário do Mapa, Sidney Medeiros.

A gerente do projeto FIP Paisagens Rurais pelo Banco Mundial, Bernadete Lange, parabenizou a equipe pelo avanço nos trabalhos e elaboração do Plano de Ação das Bacias. “Com o plano, fica claro qual será a atuação do projeto e as estratégias que serão utilizadas”, disse.

METODOLOGIA

Segundo o coordenador-geral de Fomento e Inclusão Florestal do Serviço Florestal Brasileiro, Fernando Castanheira Neto, o principal desafio do momento foi concluir a metodologia de identificação das áreas prioritárias de atuação do projeto, tendo como parâmetro as áreas de passivos ambientais de preservação permanente e de reserva legal, além dos pastos degradados.

“O plano possibilitará uma maior eficácia das ações para cumprir ao objetivo final do projeto, que é a integração da paisagem”, destacou Fernando. “Esse esforço foi fruto de outro desafio deste projeto, que é o de criar sinergias entre as diversas instituições que o integram”.

A coordenadora técnica do projeto no Senar, Bárbara Evelyn Silva, disse que, para definir as estratégias de atuação, foi identificado o perfil fundiário das propriedades e classificado o uso do solo e das áreas com maior potencial de pastagens e passivos a serem recuperados.

O projeto prevê Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) para quatro mil propriedades rurais em sete estados do bioma Cerrado: Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Tocantins. “Ao todo, serão desenvolvidos planos de ação para 14 bacias. O objetivo é alcançar sete mil hectares de áreas recuperadas e 100 mil hectares para a adoção de práticas de conservação e tecnologias de baixa emissão de carbono na agropecuária”, explicou Bárbara

A metodologia utilizada pelo Senar na ATeG consiste em cinco etapas: diagnóstico produtivo individualizado; planejamento; adequação tecnológica; capacitação profissional complementar e avaliação sistemática de resultados. Essas etapas estavam previstas para iniciar em março de 2020, com duração de 24 meses, com uma visita por mês de quatro horas em cada propriedade, mas, com o avanço da pandemia Covid-19, o calendário será reajustado.

SINERGIA ENTRE PROJETOS

O Projeto FIP Paisagens Rurais começou em janeiro de 2019, atuando em bacias hidrográficas identificadas como prioritárias dentro do Cerrado. Essas bacias foram selecionadas por apresentar pastagens e ativos ambientais degradados em reservas legais e áreas de preservação permanente. A meta final do Projeto é associar a melhoria de renda do proprietário rural aos ganhos ambientais.

A sinergia necessária para o sucesso do Projeto inclui instituições envolvidas em outros três Projetos da carteira: FIP Cadastro Ambiental Rural (CAR), FIP Monitoramento e FIP ABC Cerrado.

O SFB aplicará a experiência com o FIP CAR com a base de dados das propriedades rurais no Brasil, mostrando onde há passivo ambiental; o Inpe, a partir de boas práticas com o FIP Monitoramento, fará o mapeamento TerraClass do Cerrado; e o Senar, após o encerramento do FIP ABC Cerrado, aplicará as boas práticas agropecuárias de uso sustentável da terra.

O mapeamento Terraclass Cerrado mostra, além do desmatamento já apontado pelo Prodes, o uso da terra em cada área (pecuária, mineração, agricultura, etc).

Outra parceria importante nessa sinergia é com a Embrapa, por meio da unidade Cerrados de Planaltina (DF), para a criação de vídeos e cartilhas que orientem pecuaristas sobre a recuperação de vegetação nativa e de pastagens em áreas com passivo ambiental.

“Paisagens rurais recuperadas significam ganho ambiental com a criação de corredores ecológicos, para que a fauna possa circular e se reproduzir. Os ganhos também se traduzem em água que infiltra no solo e não causa erosão, melhorando a conservação da água e do solo de cada bacia hidrográfica. Todas estas ações resultam também no aumento do sequestro de carbono da atmosfera, contribuindo para reduzir o impacto da mudança climática”, explica Adolfo Dalla Pria, doutor em Desenvolvimento Sustentável e Assessor Técnico da Agência de Cooperação Técnica Alemã GIZ.

O projeto Paisagens Rurais é financiado com recursos do Programa de Investimento Florestal (FIP, em inglês) que são gerenciados pelo Banco Mundial. A coordenação é do Serviço Florestal Brasileiro e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com parceria da Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ), Senar, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI), por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e Embrapa.